Entre o jornalismo isento e o apelo humanitário
A foto acima rendeu o prêmio Pulitzer ao fotógrafo sul-africano Kevin Carter, em 1994. Mais do que a repercussão do prêmio, a foto publicada no The New York Times também fomentou um acalorado debate sobre o papel do fotógrafo frente a chocante realidade retratada por suas lentes. Qual foi o destino da menina sudanesa que esperava a morte por inanição em frente ao paciente abutre que aguardava uma refeição? Após fotografá-la, Carter espantou o abutre? Levou a menina até um centro de distribuição de alimentos? Fez alguma coisa por ela? Estas e outras críticas foram feitas ao grupo de fotógrafos da The Star, na África do Sul, do qual Carter fazia parte. Durante os anos 1990, em pleno Apartheid, este grupo de fotógrafos informalmente conhecido como Bang Bang Club acompanhou e fotografou os conflitos populares que antecederam as eleições de 1994 na África do sul, nas quais Mandela foi eleito. Pois a história do Bang Bang Club e o contexto histórico em que esta e outras fotografias premiadas foram obtidas são retratados no filme Repórteres de Guerra (2010), baseado em um livro escrito por dois ex-integrantes do clube. O filme é muito interessante e realista, nos permitindo vivenciar a realidade destes profissionais que atam em guerras e situações de conflito, tentando obter imagens que retratem aquela realidade, que choquem, que sejam esteticamente apelativas e que, enfim, paguem os seus salários.
Em 2006 esta história já havia sido abordada no curta-metragem The Life of Kevin Carter: Casualty of the Bang Bang Club, indicado ao Oscar de melhor Documentário. Eu ainda não assisti este documentário, mas gostei muito da versão longa-metragem e achei que o atores Ryan Phillippe e Taylor Kitsh fizeram um bom trabalho representando, respectivamente, os jornalistas Greg Marinovich e Kevin Carter.Avaliação: "Tri Legal"
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Dinler


