Não sei se continua em cartaz o filme Ruby Sparks: A namorada perfeita (2012), mas de qualquer modo fica aqui a dica!! O filme conta a história de um jovem e bem-sucedido escritor, Calvin Weir-Fields (Paul Dano), que vive uma crise de criatividade. Em paralelo, também fica evidente sua péssima relação com o mundo que o cerca. É admirado por sua obra, convidado para vários eventos e inclusive desejado por algumas mulheres...mas não se diverte nestas ocasiões e tão pouco consegue manter um relacionamento. Desafiado por seu psiquiatra, Calvin começa a rabiscar um texto sobre o encontro de um jovem com uma mulher..."perfeita". Ele descreve cada detalhe de sua personalidade, suas origens, seus gostos, e como ela se encaixa perfeitamente nos seus próprios desejos, que se confundem com os do protagonista de sua própria história. Logo o escritor se vê verdadeiramente apaixonado por sua própria criação, Ruby Sparks (Zoe Kazan), seu dia gira em torno dos momentos em que pode continuar escrevendo sobre ela, apenas para ter aquela fugaz sensação de convívio através de seu personagem. Até aí "tudo bem", mas as coisas realmente ficam estranhas quando em uma determinada manhã Calvin encontra Ruby em sua cozinha, preparando um café como se morasse em sua casa a muito tempo. Não era uma simples alucinação, ela estava ali, cozinhando e conversando, em carne e osso. O susto é tamanho que Calvin se tranca no quarto, convencido de que está tendo um episódio de esquizofrenia ou algo do gênero. Mas Ruby permanece lá, sabe-se lá como isso é possível, mas de fato ela está lá. Não é mais apenas fruto da imaginação de Calvin, ela conversa e interage com outras pessoas, como se sempre tivesse existido. A cômica e improvável história de amor prossegue, explorando alguns temas comuns da vida a dois. Sempre queremos mudar uma coisinha ou outra no ser amado, não importa o quão perfeito ele seja. Mas até que ponto mudar detalhes que nos incomodam não altera a própria essência que torna o nosso ser amado único e especial?
Enfim, um programa especialmente agradável para casais...mas não só para eles. O filme ainda conta com outros atores famosos, como Elliot Gould (bem no papel) e Antônio Banderas (completamente irrelevante...).
Eu ainda estava na faculdade quando meu irmão me indicou a série Death Note (2006-2007), um anime Japonês inspirado em um mangá muito famoso. Felizmente eu segui a dica e assisti a série. Ela é PERFEITA!!!! Uma das tramas mais inteligentes e envolventes que eu já tive o prazer de acompanhar. Nota 9.0 no IMDB. Simplesmente fantástica!!!!
A trama está centrada na existência de um livro, o qual dá nome a série,
que é utilizado pelos "deuses da morte" (ou "Shinigamis") para matar os
humanos (na hora derradeira) e encaminhá-los ao mundo dos mortos. Os
Shinigamis fazem parte da cultura japonesa e estão presentes em várias
outras histórias, dois deles aparecem na imagem ao lado, ao fundo. Nesta
série, um Shinigami entediado deixa um Death Note cair no mundo dos
vivos e fica acompanhando sua trajetória. O primeiro a encontrar o livro
da morte é um brilhante estudante japonês chamado Light Yagami (ou, na pronúncia japonese, Yagami "Raito"). Apesar de jovem, Light é tão inteligente e perspicaz que no passado já
auxiliou a polícia de sua cidade a resolver alguns crimes. Ele planeja estudar direito e quem sabe entrar para a polícia, visando
colaborar para fazer do mundo um lugar melhor e mais justo.
Mas a justiça é lenta e ineficiente. Inúmeros criminosos condenados acabam impunes ou retornam as ruas poucos anos depois. Light acha isso injusto e gostaria de fazer algo para mudar o sistema. O Death Note lhe fornece esta possibilidade. O livro vem com uma série de instruções, dentre as quais se destaca o fato de que basta escrever o nome de um humano no caderno (mentalizando seu rosto), que o humano estará morto em 40 segundos. Light evidentemente não acredita nestas regras, mas por diversão resolve testar o livro. Escreve o nome de um criminoso que apareceu na televisão e deixa o livro de lado, sabendo que nada aconteceria. Para sua surpresa, o criminoso morre de um ataque cardíaco fulminante. Light inicia então uma cuidadosa campanha para matar criminosos, assassinos, estupradores e toda a escória da sociedade japonesa...e, porque não, do mundo. A polícia logo percebe que este grande número de mortes, aparentemente não relacionadas, deve ser fruto da ação coordenada de um grupo de assassinos, montando uma força-tarefa para investigar o caso. Nos blogs e nas redes sociais surge o nome "Kira", como o salvador da humanidade, aquele que está fazendo justiça com as próprias mãos. Não muito tempo depois, une-se a esta força-tarefa o mais eficiente detetive do mundo, o qual nunca teve sua identidade revelada e que atende pelo pseudônimo de "L". É aqui que as coisas começam a ficar realmente interessantes...
Você pode até estar pensando "livro da morte", "deuses bizarros", não, vou passar essa. Mas não se engane!!! Este é apenas o contexto no qual se travará uma magnífica batalha entre "Kira" e "L". O ponto forte não são os Shinigamis e o mundo dos mortos, mas o "xadrez" de alto nível que se desenrola enquanto "L" tenta descobrir a real identidade de "Kira", o qual precisa se manter oculto para continuar com seu "trabalho". A trama é fantástica, vale MUITO A PENA CONFERIR. Eu e a Laura ficamos completamente viciados. Mesmo que você não seja fã de animes, assista aos primeiros episódios antes de formar sua opinião (são apenas 37 no total):
Na mesma época em que o anime foi lançado, também foram produzidos dois filmes baseados no mesmo mangá: Desu nôto (2006) e Desu nôto: The last name (2006) (notas 7.9 e 7.3 no IMDB). Apenas na semana passada eu e a Laura resolvemos assistir esta versão live action da série, sobre a qual decidi realizar esta postagem. Os filmes são legais. Os personagens estão relativamente bem representados (inclusive os Shinigamis) e a trama apresenta os principais fatos da história original...mas não é a mesma coisa.
Naturalmente o filme precisa ser mais sucinto e os eventos precisam se desenrolar mais rapidamente. Isso faz com que apesar de as principais jogadas de cada um dos protagonistas serem apresentadas, o telespectador não perceba a real dimensão da genialidade dos movimentos do "L" e do "Kira". Além disso eles também simplificaram algumas partes da história e alteraram o final. Acho que o filme vale a pena para quem está com saudade da trama e quer revê-la sob uma óptica nova ou para quem tem alguma aversão absurda aos animes e sabe que não assistirá aos 37 episódios. Bom, acho que é melhor assistir apenas aos filmes do que não assistir nada. Mas eu insisto, assistir ao anime é MUITO MELHOR!!!
Existe ainda um terceiro filme, L: Change the World (2008), um spin-off dos dois primeiros, mantendo o mesmo ator no papel de "L" (Ken'ichi Matsuyama). Eu ainda não consegui assistir este filme e não tenho certeza sobre como ele se encaixa nos demais...mas parece ser uma história anterior ao primeiro filme.
Nestes tempos em que nada se cria e tudo se copia, existiam rumores sobre uma versão americana desta história. De fato, o IMDB já possui a entrada para um filme previsto para 2014, sob a tutela do diretor Shane Black, o mesmo de Máquina Mortífera (1987). Vamos aguardar para ver o que vem por aí...