sábado, 9 de fevereiro de 2013

The Invention of Lying (2009)

Só uma mentirinha branca aqui e ali...


A mentira é uma ferramenta essencial para a nossa vida em sociedade. Ela permite suavizar as nossas relações, evitando comentários que apenas agrediriam ou magoariam o interlocutor, sem trazer qualquer benefício. É claro que eu estou me referindo aqui aquelas pequenas e inofensivas mentirinhas do dia-a-dia, como quando a pessoa amada prepara um prato com todo o carinho e na hora da degustação você percebe que ela derrubou todo o saco de sal dentro da panela. Você não vai dizer na lata, "ficou bem ruim este teu almoço, parece que eu estou comendo sal grosso!". No mínimo você suaviza o comentário com um eufemismo, "ficou bom, talvez pudesse ter colocado um pouquinho menos de sal, mas para o meu gosto está bom" (frase acompanhada por uns três copos de Coca-Cola). Ou quando você decide terminar um relacionamento de anos, você não chega e diz "cansei, tu ficou muito chata e eu estou mais interessado na minha colega de trabalho". Claro que não! Você diz "eu não estou bem, preciso ficar sozinho um tempo, blábláblá". Eu sempre pensei que se um dia desenvolvêssemos a habilidade de ler a mente uns dos outros, nossa sociedade teria que mudar drasticamente. O ciúme seria uma coisa completamente incompatível com os relacionamentos, por exemplo. Toda a vez que um membro do casal "olhasse para o lado" ou pensasse em outra pessoa, o outro saberia imediatamente, e teria que saber que aquilo é uma coisa natural, irrelevante e que não significa que o amor acabou ou algo do gênero. Pois um universo semelhante é retratado no filme O Primeiro Mentiroso (2009), dirigido e estrelado pelo ator Ricky Gervais (o inconveniente chefe "David Brent" do The Office (2001-2003) inglês. Este post-merece múltiplos spin-offs e eu vou ter que controlar para não me estender muito. Fazendo o primeiro parêntese, eu adoro e recomendo The Office (2005-)!!! A série inglesa é muito boa, mas a versão americana é minha preferida. O Steve Carell está fantástico no papel de "Michael Scott" (a versão americana do David Brent). Como toda a série de comédia, o nível do humor varia um pouco de um episódio para o outro, mas tem alguns episódios que são de doer a barriga de tanto rir. Fantástico. Para mim é uma das melhores séries de comédia depois do Friends (1994-2004).

 

Mas voltando ao tema do post, o protagonista do filme vive em uma sociedade em que não existe a mentira. Ninguém mente. Na verdade, as pessoas nem sabem o que é uma mentira. Não existe a concepção da mentira. As pessoas simplesmente falam o que pensam. Nem sequer conseguem ficar em silêncio pensando consigo mesmo que não concordam ou que não gostam do interlocutor (pois isso exigira um certo nível de "faltar com a verdade"), elas simplesmente falam na lata que discordam, que não gostam,, etc. Não que isso não magoe o interlocutor, mas enfim, todos estão acostumados a estas situações e simplesmente seguem suas vidas. As consequências na sociedade são infinitas. Imaginem como fica o cinema em uma sociedade em que ninguém é capaz de "fingir ser outra pessoa" (atuar), os filmes se limitariam a leitura de textos históricos (...\o/...). Agora imaginem isso, se não existe mentira (nem a mais remota possibilidade de alguém faltar com a verdade), então também não existe senso crítico sobre o que lhe é contado. Então tudo que você ouvir, você simplesmente aceitará como verdade. Eis que por uma série de eventos randômicos, alguém acaba faltando com a verdade em uma determinada situação. Esta pessoa automaticamente percebe que pode faltar com a verdade em qualquer situação. E mais, tudo que ela disser será tomado como verdade absoluta por qualquer pessoa. Imaginem as possibilidades...


O filme traz várias sacadas muito legais neste sentido. Ele não é a comédia mais engraçada que existe, mas é muito bom e divertido. E é uma tremenda brincadeira, com a participação de vários atores conhecidos, como Jonah Hill, Jennifer Garner, Edward Norton, Jason Bateman, Philip Seymour Hoffman, Tina Fey, etc. Para encerrar com um outro parêntese, um dos atores coadjuvantes neste filme é o Louis C.K, que faz o melhor amigo do protagonista (atuação meia-boca e contribuição modesta para o humor do filme). Ele é o protagonista de uma série de comédia Louie (2010-), que é relativamente engraçada. Mas ele também faz stand-up comedy, e é disso que eu quero falar. Eu adoro os vídeos dele!! O cara é muito engraçado mesmo!! Ele faz piada sobretudo de coisas da própria vida, como o relacionamento com a esposa e com as filhas. Tem inúmeros vídeos dele na internet, vale a pena conferir. Para evitar uma lista enorme de links eu vou indicar aqui apenas um vídeo com uma apresentação completa e uma entrevista no Conan O'Brien, que para mim é um dos vídeos mais engraçados dele.


Avaliação: "Tri Legal"

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Dinler

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